De acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), “os casos de trabalho escravo tem sido encontrados principalmente na pecuária (80% dos casos)”. Conforme a Comissão Pastoral da Terra (CPT), 51% dos casos de trabalho escravo ocorridos em 2008 estavam ligados à pecuária e, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), a pecuária é o setor da economia do qual foram resgatados mais trabalhadores em condições análogas à escravidão durante o ano de 2012.

 

Segundo Ruth Vilela, ex-secretária de Inspeção do Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), as fazendas pecuárias “prendem” as pessoas por um sistema de servidão por dívida, de modo que elas não podem abandonar a fazenda antes de terminar a empreitada e, assim, seguem trabalhando em condições severas de exploração, sem água limpa para beber, sem locais apropriados para descanso e sendo obrigadas a assumir dívidas referentes à compra de seus próprios equipamentos de trabalho. Desta forma, os trabalhadores abusados nestas fazendas não podem deixar o local porque vão adquirindo dívidas com os donos das propriedades.

 

A exploração de humanos continua nos frigoríficos. O documentário “Carne, Osso - O Trabalho em Frigoríficos” conta a história de Valdirene, que trabalhou por 11 anos em um frigorífico e hoje sofre de uma atrofia grave nos nervos do braço e não pode mais trabalhar. Ela diz: “Quando eu dizia que tinha dor, eles não acreditavam na minha dor. Eu chegava desatinada na enfermaria, até vermelha de tanta dor, suava frio – e eles não acreditavam”. O documentário, publicado pela ONG de direitos humanos Repórter Brasil, traz muitos outros casos e estatísticas que demonstram as condições sub-humanas de trabalho em abatedouros, frigoríficos e plantas de processamento de carne.

 

 

É importante perceber que a criação de animais para consumo humano é responsável por mais da metade dos casos de exploração humana no trabalho. De certa forma, percebe-se assim que a escravidão animal está ligada à escravidão humana. Quando adquirimos produtos de origem animal, estamos contribuindo para um círculo de exploração de humanos e animais.

     

Além de hospedar a maior parte do trabalho escravo no Brasil, a atividade pecuária contribui significativamente para o desperdício global de alimentos, uma vez que são consumidos de 2 a 10 Kg de proteína vegetal (por exemplo, soja) para produzir apenas 1 Kg de proteína de origem animal. Em um mundo com 1 bilhão de pessoas que passam fome, jogar toda essa comida no lixo é socialmente inaceitável.

 

Referências:

http://www.oit.org.br/sites/all/forced_labour/oit/relatorio/sumario.pdf

http://reporterbrasil.org.br/2013/06/principais-atividades-economicas-do-brasil-concentram-casos-de-trabalho-escravo-em-2012/

http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u62501.shtml

http://vista-se.com.br/redesocial/pecuaria-e-campea-de-trabalho-escravo-no-brasil/

http://vista-se.com.br/redesocial/programa-a-liga-denuncia-pecuaria-como-principal-responsavel-pelo-trabalho-escravo-no-brasil/

http://reporterbrasil.org.br/2011/08/carne-osso-trabalho-em-frigorificos-no-festival-de-gramado/

http://vista-se.com.br/redesocial/impacto-da-pecuaria-bovina-no-brasil/

http://www.midiaindependente.org/pt/red/2002/07/31480.shtml

http://www.blogdaluka.org/2013/10/onu-recomenda-dieta-vegana-para.html

https://www.youtube.com/watch?v=imKw_sbfaf0

 

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