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Por Eric Slywitch - médico, coordenador do Departamento de Medicina e Nutrição da SVB.

Com o decorrer dos anos estamos acompanhando os avanços dos estudos sobre o vegetarianismo ligados às áreas da medicina e nutrição. Infelizmente grande parte dessas informações são de difícil acesso ao público leigo e a maior parte dos profissionais de saúde não direciona o seu tempo de estudo para esse propósito.

 

As informações de que dispomos hoje são bastante animadoras e estão embasadas no fato de que diversas entidades internacionais já incentivam e/ou apóiam o vegetarianismo. Dentre elas temos: American Heart Association (AHA), Food and Drug Administration (FDA), Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), Kids Health (Nemours Foundation) e College of Family and Consumer Sciences (University of Georgia).

Uma das entidades mais respeitadas em termos de nutrição, a Associação Dietética Americana (American Dietetic Association) tem um parecer favorável ao vegetarianismo desde 1993. Em 2003, em união com a organização Nutricionistas do Canadá, foi acrescentado ao parecer que “os profissionais da área da nutrição têm o dever de encorajar e incentivar as pessoas que expressam intenção de se tornarem vegetarianas”.

Apesar de esse parecer ser bastante animador, não devemos ter grandes esperanças de que a idéia dos médicos e nutricionistas sobre o vegetarianismo irá mudar apenas por causa disso. Vamos lembrar que esse parecer positivo sobre o vegetarianismo pela Associação Dietética Americana existe há 10 anos.

O surgimento da Sociedade Vegetariana Brasileira é um marco do vegetarianismo no Brasil. Ainda estamos nos estruturando, mas já temos um grupo de pessoas coesas e dispostas a difundir o vegetarianismo com bastante propriedade. É com essa disposição, dedicação e seriedade que conseguiremos difundir e fazer valer o parecer da Associação Dietética Americana.

Dentre os benefícios à saúde que podem advir do seguimento de uma dieta vegetariana, podemos enumerar os principais (de acordo com a Associação Dietética Americana):

  • Redução das mortes por infarto (doença cardíaca isquêmica) em 31% em homens vegetarianos e em 20% em mulheres vegetarianas (estudo com 76 mil indivíduos).
  • Níveis sangüíneos de colesterol 14% mais baixos em ovo-lacto-vegetarianos do que nos comedores de carne.
     
  • Níveis sangüíneos de colesterol 35% mais baixos em veganos do que nos comedores de carne.
     
  • Menor pressão arterial (redução de 5 a 10 mmHg) nos vegetarianos.
     
  • Redução de até 50% do risco de apresentar diverticulite nos vegetarianos.
     
  • Redução de até 50% do risco de apresentar diabetes nos vegetarianos.
     
  • Probabilidade duas vezes menor de apresentar pedras na vesícula nas mulheres vegetarianas (estudo com 800 mulheres entre 40 e 69 anos).
  • Os não vegetarianos têm um risco 54% maior de ter câncer de próstata.
     
  • Os não vegetarianos têm um risco 88 % maior de ter câncer de intestino grosso (cólon e reto).
     
  • Redução da incidência de obesidade nos vegetarianos, um problema mundialmente preocupante.
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  • Aparentemente, o consumo de carne aumenta em até 3 vezes as chances de desenvolver demência cerebral.     
  • Aparentemente, uma dieta vegetariana sem derivados animais e com predominância de alimentos crus reduz os sintomas de fibromialgia.

Com todos estes resultados animadores sobre a saúde fica difícil para alguém que estuda o assunto não se interessar pelo vegetarianismo.

Um fato muito importante é que apesar de essas descobertas serem muito interessantes, grande parte das pessoas seria vegetariana mesmo se o vegetarianismo fosse nocivo (ainda bem que não é!!), pois a questão ética prevalece em grande parte dos indivíduos.

Trabalhar a adequação da dieta é fundamental para preservarmos a integridade física das pessoas que seguem a dieta vegetariana. Uma pessoa com deficiência nutricional se torna debilitada, além de ser uma propaganda negativa para a nossa causa. Estamos trabalhando para que isso não ocorra. Faça a sua parte também.

Devemos ter em mente que a saúde adquirida com a dieta vegetariana (ou com qualquer dieta) é dependente das escolhas dietéticas e por isso precisamos estudar nutrição. Pratique atividade física regularmente, alimente-se com variedade e dê ênfase ao consumo de alimentos ricos em ferro, cálcio, zinco e ômega-3. Não fuja do sol. Você precisa de vitamina D, que é sintetizada pelo seu organismo através da exposição da pele ao sol.

Não se esqueça da vitamina B12, o ponto mais importante do vegetarianismo. Exames de sangue regulares devem fazer parte da rotina de qualquer pessoa (vegetariana ou não). No site da SVB você encontra um resumo dos principais nutrientes de atenção da dieta vegetariana.

Pretendemos enfatizar bastante essas informações no Congresso em agosto.

Mesmo que o seu propósito para ser vegetariano seja unicamente pelos animais, lembre-se que é com a saúde adequada que você poderá manter a sua atitude ativista.

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