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Por Eric Slywitch - Coordenador do Departamento de Medicina e Nutrição da SVB
 
O consumo de proteínas vegetais corresponde a 65% do total de proteínas ingeridas pelas pessoas no mundo todo. Nos Estados Unidos esse consumo corresponde a apenas 32%, demonstrando que essa população está reduzindo a ingestão de alimentos de origem vegetal e aumentando a de origem animal.

Análise de diversos estudos mostra que os veganos (vegetarianos que não utilizam nenhum tipo de derivado animal - ovos, leite ou queijos) não apresentam risco aumentado de deficiência de proteínas. A necessidade protéica é a mesma para vegetarianos e não-vegetarianos adultos, desde que a pessoa não tenha uma alimentação baseada num único grupo alimentar.

Os vegetarianos ingerem menos proteínas do que os não-vegetarianos, mas esses valores são adequados em termos de quantidade total de proteínas e de aminoácidos ingeridos ― os onívoros consomem mais proteína do que o necessário. Geralmente, os vegetarianos consomem cerca de 13 a 14% do seu volume calórico como proteínas, enquanto que os onívoros ingerem cerca de 16 a 17%. As recomendações atuais sugerem que os indivíduos saudáveis tenham uma ingestão entre 10 a 15%, com no máximo 20% da ingestão calórica como proteínas.

Diversos conceitos nutricionais foram modificados ao longo das décadas, devido ao fato dos estudos antigos terem sido realizados em animais, causando erros grosseiros com relação às necessidades protéicas para os seres humanos.

Desde 1991 a Organização Mundial de Saúde e a FAO recomendaram que não se utilizasse mais o valor biológico como forma de análise da qualidade nutricional das proteínas absorvidas, já que o método é muito falho para seres humanos. Tal medida foi substituída pelo PDCAA, que reflete com mais exatidão a necessidade humana. Com este novo método, ficou claro o erro cometido no passado, quando se afirmava que a carne é necessária ao organismo humano como provedora de proteínas. O mesmo é válido para os ovos e laticínios.

Infelizmente a atualização científica de muitos profissionais ainda se faz de forma lenta, o que contribui para a disseminação equivocada de conceitos nutricionais, como a necessidade de utilizar alimentos de origem animal para a obtenção de proteínas.

A ciência atual nos mostra os oito mitos sobre as proteínas de origem vegetal:

Os oito mitos sobre as proteínas de origem vegetal

1) A proteínas vegetais são incompletas (carentes em aminoácidos)
A verdade: alguns alimentos podem apresentar teores baixos de um ou mais aminoácidos específicos. A combinação de alimentos de grupos diferentes fornece todos os aminoácidos em ótimas quantidades;


2) As proteínas provenientes de fontes vegetais não são "tão boas" quanto as provenientes de fontes animais
A verdade: a qualidade depende da fonte da proteína vegetal ou da sua combinação. As proteínas vegetais podem ser iguais ou melhores do que as proteínas animais.

3) As proteínas de diferentes alimentos vegetais devem ser consumidas juntas na mesma refeição para atingir um alto valor nutricional.
A verdade: os aminoácidos não precisam ser consumidos todos na mesma refeição. A maior importância está em consumi-los ao longo do dia.

4) Os métodos baseados em animais para determinar os valores de necessidade nutricionais de proteína são adequados para humanos.
A verdade: esses métodos costumam subestimar a qualidade nutricional das proteínas, já que as necessidades de proteínas e a velocidade de utilização delas é muito diferente entre os animais e os seres humanos.

5) As proteínas vegetais não são bem digeridas
A verdade: a digestibilidade pode variar de acordo com a fonte e o preparo da proteína vegetal. A digestibilidade da proteína vegetal pode ser tão alta quanto a animal para alguns alimentos.

6) A proteína vegetal não é suficiente, sem a carne, ovo ou os derivados do leite, para oferecer as necessidades humanas de aminoácidos.
A verdade: a ingestão dos aminoácidos essenciais pode ser tranqüilamente atingida utilizando-se apenas as proteínas vegetais ou uma combinação delas com as animais (ovos, leite e queijo).

7) As proteínas vegetais contêm os seus aminoácidos desbalanceados e isso limita o seu valor nutricional.
A verdade: não há nenhuma evidência de que esse balanço seja importante. O que importa é que todos os aminoácidos atinjam o seu valor de ingestão recomendado ao longo do dia. Pode ocorrer desbalanço por uma suplementação inadequada de aminoácidos, mas isso não costuma ser um problema prático comum.

8) Existem aminoácidos na carne que não podem ser encontrados em nenhum alimento do reino vegetal.
A verdade: todos os aminoácidos essenciais são encontrados em abundância no reino vegetal.
 
Afirmar que o indivíduo que não ingere carnes, ovos ou laticínios vive às margens da deficiência protéica é um erro conceitual, além de não estar baseado em evidências científicas. A análise de marcadores de nutrição protéica como, por exemplo, a albumina sérica (do sangue), revela que o nível dos veganos é significativamente mais elevado do que o dos onívoros. Isso deixa claro que a nutrição protéica não é problema para os vegetarianos.

 
Referências:
Plant proteins in relation to human protein and amino acid nutrition. Am J Clin Nutr 1994;59(suppl):1203-S-12S.
Howard, Barbara V. Plant Foods Have a Complete Amino Acid Composition. Circulation. 105(25):e197, June 25, 2002.
The nutritional value of plant-based diets in relation to human amino acid and protein requeriments. Proc Nutr Soc. 1999 May;58(2):249-260.

 

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