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Arnaldo Sisson Filho, economista, mestre em Ciências Políticas e organizador do site www.anna-kingsford.com, que é o principal site de divulgação da obra da Dra. Anna Kingsford, tanto em português como em inglês, no qual se encontram on-line todas as obras da Dra. Kingsford e de seu grande colaborador, Edward Maitland.
Sisson traduziu e revisou a tradução de algumas dessas obras que também estão nesse site. É autor das obras "O Que Há de Errado com a Política?", "Teosofia e Fraternidade Universal", "O Resgate do Cristianismo Budista: A Contribuiçãop do Pensamento da Dra. Anna Kingsford" e "A Roda e a Cruz: uma Introdução ao Cristianismo Budista" (com Viviane Pereira). É co-fundador do Grupo Anna Kingsford (em Brasília) da Sociedade Vegetariana Brasileira, que auxilia nas questões de estrutura organizacional e de representação, e como conselheiro do Conselho Nacional.
Arnaldo Sisson Filho apresentará, no 3º Congresso Vegetariano Brasileiro, a seguinte palestra:
O Cristianismo Budista e Vegetariano da Dra. Anna Kingsford
Todas as religiões que merecem esse nome nos dizem que Deus é amor e que religião significa nos religarmos, nos aproximarmos e vivermos o amor até o ponto em que nos tornamos, nos fundimos com o amor e com a vontade de Deus. Como disse o filósofo Plotino ‘o olho só conseguiu enxergar o Sol porque assumiu sua forma em miniatura’ – é uma analogia que demonstra que se quisermos nos aproximar do grande amor, que está no coração desse universo, temos que iniciar sendo um pequenino amor nesse universo. Temos que assumir essa forma de Deus, de amorosidade, ainda que em miniatura.
O vegetarianismo é uma expressão natural do amor, da sensibilidade, de não infligir sofrimentos desnecessários em nossa vida. Esse é o aspecto mais óbvio do vegetarianismo que está diretamente associado com a religiosidade – desenvolver em você, ainda que em miniatura, o amor divino.
Devemos lembrar da grande lei de ação e reação: se estamos no mundo semeando crueldade e dor aos animais, nós vamos colher dor. É o que estamos colhendo: violência crescente, agressões, desestabilidade ambiental cada vez maior, doenças que estão surgindo.
Uma das coisas que eu acho mais apaixonante na obra da Dra. Ana Kingsford é que ela, como cristã, percebeu a importância de resgatar esse conhecimento dentro do contexto do Cristianismo, conhecimento que se perdeu ao longo dos séculos. Um texto dela e de seu grande companheiro de trabalho Edward Maitland mostra que o vegetarianismo era uma parte integrante do verdadeiro Cristianismo. Que o verdadeiro Cristianismo é vegetariano. E não da forma que como hoje, da maneira deturpada, querem nos passar. O texto chama-se O Vegetarianismo e a Bíblia, e está no Site Anna Kingsford: www.anna-kingsford.com
A religião não só pode como deve auxiliar na promoção do vegetarianismo porque a verdadeira religião é essa que nos torna, ainda que em miniatura, espelhos do amor divino. E o vegetarianismo é uma natural expressão do amor divino.
Energeticamente, comer carne faz mal, para meditar, para o contato com seu eu interior, e assim por diante. Influencia muito. Esse é um conhecimento milenar da humanidade: na antiguidade, os verdadeiros místicos, os santos, os profetas já falavam isso. Não é nenhuma novidade. Se há alguma novidade é essa degeneração que aconteceu. Comer carne afeta pesadamente nossa capacidade psíquica, psíquico-espiritual. Eu, como estudante, aprendi isso de muitas fontes, seja no Oriente seja no Ocidente.
Ser vegetariano é apenas um alicerce preliminar, o reconhecimento da importância da benevolência em nossa vida. Para as pessoas que querem se aprofundar mais na vida religiosa verdadeira, o vegetarianismo é uma base, e essas pessoas precisam avançar para uma alimentação mais pura. A Dra. Ana Kingsford traz o conhecimento de que deveríamos migrar não só para o vegetarianismo, mas também ingerirmos cada vez mais alimentos crus na nossa dieta, pois eles têm tremenda importância para a vitalização psíquica dos nossos corpos. Para nos tornarmos pessoas mais sensíveis psiquicamente, seria muito importante que nos alimentássemos mais de alimentos crus, tanto quanto possível.
Há um texto da Dra. Anna Kingsford, que está traduzido no nosso site, que se chama O Banquete dos Deuses. Esse texto é um diálogo entre ela e semideuses. É o relato de uma percepção, de uma visão psíquica. Nele ela descreve um banquete onde os deuses falam que a alimentação das pessoas que querem se aproximar deles, que querem avançar nas etapas mais adiantadas da realização espiritual, tem que ser basicamente crudívora. Ela nos fala que Ephaistos, o deus do fogo, é um destruidor, e que ao passar pelos alimentos nos deixa coisas mortas, sem vida, com efeitos muito nocivos para a saúde e para a percepção psico-espiritual. Hoje, com o conhecimento científico, podemos ir além. Podemos saber, por exemplo, que as enzimas e muitas vitaminas são destruídas pela cocção, que muitas propriedade vitalizantes dos alimentos se perdem com uma grande elevação da temperatura.
Na minha busca de soluções para os conflitos da excessiva desigualdade social, fui percebendo que a questão econômica depende da questão política, que depende da questão filosófica, a qual depende da questão religiosa. É como um dominó em que uma vai influenciando a outra de forma inexorável.
O Sr. Krishnamurti, esse grande pensador e profeta do século XX, afirmou que a religião é a base de qualquer civilização. As questões e as idéias finais, ou últimas – o porquê da gente estar aqui, o que viemos fazer, qual a constituição do ser humano, essas idéias mais profundas, que desenham uma finalidade para nossa existência, são fundamentais porque determinam o resto da nossa existência, individual e coletiva. Se a religião é a base de qualquer civilização, as grandes instituições do mundo que aí está são filhas da degeneração religiosa. Isso é um fato. Assim, se quisermos ter soluções para os problemas mundiais, precisamos resgatar a verdade filosófica e religiosa antes de qualquer coisa.
Quando a gente nega a religião, como os materialistas tentam fazer, não abrimos mão de idéias metafísicas, porém, simplesmente, passamos a ter uma metafísica fajuta, ruim. Ainda assim você precisa de idéias que estão além do físico. Não se vive sem elas, nem individual, nem coletivamente.
Se nós formos, por exemplo, defender os animais baseados em uma filosofia materialista acabamos fazendo bobagem. Uma filosofia religiosa é como um mapa que orienta nossa vida. Se você tem um mapa ruim, vai seguir caminhos errados. Se você tem um mapa bom, mesmo assim ainda tem chance de não chegar, porque a estrada ainda assim é difícil, cheia de desafios. Mas se você sequer tem um mapa decente, como vai chegar lá? Ai não tem chance nenhuma. O mundo hoje se orienta usando mapas muito equivocados, tanto no campo religioso quanto no campo sócio-político.
Sem uma mapa filosófico-religioso consistente as pessoas tendem a uma vida de incongruências, cheia de contra sensos, mesmo no caso das pessoas ditas religiosas. Em um departamento da vida se acredita em uma coisa, em outro se acredita em outra coisa. Em um dia age de um jeito, em outro, de outro jeito. Em um lugar age de uma forma, no trabalho de um jeito, em casa de outro, na igreja diferente. A vida das pessoas é cheia de incongruências porque a filosofia que rege suas vidas é deficiente, equivocada. Por isso é muito importante esse trabalho de buscar melhorias, de buscar maior veracidade, mais luz, no campo filosófico e religioso.
Por acreditar nisso, temos nos dedicado ao trabalho de difundir e continuar a mensagem desses que vemos como verdadeiros profetas: a Dra. Anna Kingsford e Edward Maitland.
É uma tarefa vasta, pois os objetivos do Novo Evangelho da Interpretação (como Kingsford e Maitland chamaram a mensagem por eles veiculada) são tão vastos como “a abertura das Bíblias do mundo”. Ou como “elevar o nível do ideal religioso, retirando-o do plano externo e físico, para o plano interno e espiritual, e assim derrotar o domínio do materialismo sobre a vida moral”. Ou ainda, como a restaurar o verdadeiro Cristianismo, necessariamente unido ao Budismo numa mesma tradição espiritual, onde o vegetarianismo merece lugar de grande destaque, como uma natural conseqüência de uma interpretação dos símbolos religiosos à luz da compreensão mística ou espiritual.
Criamos o Site Anna Kingsford, em português e inglês, para auxiliar na difusão dessa Nova Interpretação. Estamos traduzindo as obras principais de Kingsford e Maitland, escrevendo e publicando obras, sobretudo de apresentação dessa mensagem, e também realizando reuniões e palestras. Concluímos recentemente uma de introdução ao Cristianismo Budista, pois esses profetas nos ensinaram que o Budismo e o Cristianismo são tradições que nasceram para se completar, como dois aspectos de um mesmo grande evangelho católico, ou seja, universal. |