17-May-2012
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| Pablo Fernández-Beri |
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Pablo Fernández-Beri apresentará, no 3º Congresso Vegetariano Brasileiro, a seguinte palestra: Veganos/as: em que acreditamos, o que nós dizemos e o que criticamos? Introdução Viver de maneira vegana é o mínimo que podemos fazer para ajudar os animais. É a base moral, o ponto de partida. Como veganos(as) abolicionistas, acreditamos em direitos para todo ser senciente, independente de sua espécie. Essa é a simples definição da nossa causa. Do outro lado do espectro fica o especismo, a discriminação institucionalizada daqueles(as) que não são humanos(as). Os exemplos mais próximos de um desejo de abolir tal regime ou legislação foram aqueles dos antifascistas (já que o fascismo e o nazismo só consideravam sujeitos os nacionais “puros”, sendo todos os outros, humanos ou não-humanos, objetos) e dos ativistas antiapartheid (já que o apartheid, o regime racista que governou a África do Sul de 1948 a 1990, só considerava sujeitos de direito os eurodescendentes). O especismo como regime, legislação ou sistema, tem dominado a Terra desde que a espécie humana o faz. Atitudes especistas são aqueles discursos ou ações que promovem ou encorajam o especismo a “permanecer no poder”. Como o Professor Gary L. Francione coloca em seu livro Introduction to Animal Rights: Your Child or the Dog, os humanos sofrem de “esquizofrenia moral” em relação a sua consideração pelos animais não-humanos: alguns humanos dizem estar preocupados com os animais, mas ainda assim os consideram propriedade. Apesar de ser o sistema dominante seguido pela maioria da humanidade, o especismo não tem sido aceito unanimemente. A Sociedade Vegana do Reino Unido foi fundada em 1944 com um objetivo igualmente simples e controverso: parar de usar animais para qualquer propósito humano. Mesmo a filosofia vegana tendo tal preocupação moral, não é claro para muita gente discernir veganismo de vegetarianismo. Ser vegano significa não usar nenhum animal (humano ou não-humano) nem produto animal, direta ou indiretamente, mas ser vegetariano não implica ser vegano (porque se refere só a dieta, mesmo que esta seja 100% baseada em vegetais). Em poucas palavras, o especismo coloca que é admissível usar um indivíduo (direta ou indiretamente, i.e., se você compra carne, couro, leite ou qualquer outro produto animal, está fazendo alguém usar algum animal para satisfazer sua demanda), contanto que tal indivíduo não seja da espécie humana. Como humanos, todos nós temos interesses protegidos por direitos. Temos tais direitos porque somos geneticamente “humanos”, i.e., pertencentes à espécie Homo sapiens. Qualquer outro indivíduo pertencente a qualquer outra espécie é considerado “objeto” em qualquer legislação do mundo. Conclusões Nós veganos(as), que acreditamos em direitos animais, partimos de um marco moral baseado na senciência, a capacidade que cada animal tem de sentir, e assim, ter interesses próprios. Esse marco inclui todo ser senciente na comunidade moral, i.e., todos nós devemos ter direitos protegendo nossos interesses, independentemente de nossa espécie. Como seres morais nós pretendemos enunciar nossos valores morais de maneira clara. Nós não participamos em nenhuma atividade requerendo que outros animais sejam considerados objetos, mas não podemos pedir que as pessoas sejam veganas se não partilham de nosso marco moral. Sempre a melhor maneira de compartilhá-lo é educar gentil e pacientemente os outros sobre isso. Não devemos subestimar a capacidade que tem qualquer filosofia de vida não requerendo que animais sejam considerados objetos (por exemplo, “formas de vegetarianismo”) para encontrar pessoas mais próximas de adotar esse conjunto de valores. O que não podemos é ignorar o tipo de especismo (a discriminação de animais não-humanos que os coloca na posição de objetos) que é intencional e desenhado por pessoas que se beneficiam dessa ideia. O combate a esse tipo de especismo, o que vemos na propaganda especista (veja fotolog ou grupo no Facebook), deve ser nossa linha de frente. |
Novidades
- Atrações Artísticas
- Jaime Chatkin
- Luciano Rocha Santana
- Tagore Trajano
- Oficina 3: Abolição animal - contraste com a pujante cultura local (Róger D´Oliveira)
- Oficina 1: Ação direta como instrumento de militância & como organizar um coletivo
- Oficina 2: Soluções multimodais para efetivação dos direitos enquanto grupo ativista (SVB – Rio)
- Feira Vegetariana
- Demonstrações Culinárias
- Carlos Naconecy
Pablo Fernández-Beri, 31 anos, nasceu em Ciudad de la Costa, grande Montevidéu, Uruguai. É professor de inglês no ensino médio normal estadual, vegetariano desde 2002, vegano desde 2003, e ativista pelos direitos animais desde 2004, colaborando com manifestações e eventos.


