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14-Mai-2008 |
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Carlos
M. Naconecy é filósofo pela UFRGS e doutor em Filosofia pela PUCRS. Foi
pesquisador visitante no Animal Welfare
and Human-Animal Interactions Group da Universidade de Cambridge,
Inglaterra. Atualmente é Associate Fellow do Oxford Centre for Animal Ethics. É autor
do livro Ética & Animais: um guia de
argumentação filosófica, Edipucrs, 2006, tendo concentrado seus estudos
nesse tópico há vários anos e proferido palestras e entrevistas
relacionadas com o tema.
O Dr. Carlos Naconecy estará apresentando no 2o Congresso Vegetariano Brasileiro o seguinte tema:
Ética para (todos) Animais ou Ética (apenas) para Sencientes?
O que há de errado em pisar em uma formiga? Ou esmagar uma
mosca? Nada, segundo a Ética Animal, uma vez que os filósofos animalistas a ancoram
na noção de senciência (ou subjetividade). Conseqüentemente, dado que (i) o consenso cientifico
atual restringe a senciência aos animais vertebrados, e (ii) de todas as espécies de animais descritas pela Zoologia apenas
2% são vertebradas, teremos somente razões morais indiretas para proteger 98% de todo o Reino Animalia. Mas, segundo a corrente denominada Ética da Vida,
insetos, crustáceos e moluscos não têm valor apenas instrumental: eles percebem
e dão conta do mundo ao seu redor, realizam a continuidade de sua sobrevivência
e buscam tudo aquilo que os beneficiam. Resultam daí duas questões. A primeira delas se refere a uma
confusão terminológica, aparentemente inofensiva: eticistas e ativistas estão
tratando de uma Ética para Vertebrados,
em vez de uma Ética Animal propriamente dita. A segunda não é terminológica,
mas normativa: se a Ética Animal limita a consideração moral aos
chamados pela taxonomia zoológica de “animais superiores”, quando isso não é efetivamente
legítimo, então estaríamos diante de uma instância do especismo, tão injustificado
quanto o especismo humanista que rejeita mamíferos, aves e outros vertebrados do
universo moral.
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