2o Congresso Vegetariano Brasileiro
Apresentação seta Saiu na Imprensa seta VegetariÂnimo: eis o espírito do 2o Congresso Vegetariano Brasileiro
VegetariÂnimo: eis o espírito do 2o Congresso Vegetariano Brasileiro PDF E-mail
06-Out-2008
abertura2-marly.jpg Grande como coração de mãe. Assim foi o 2o Congresso Vegetariano Brasileiro, realizado no final de setembro no UniBH, em Belo Horizonte. Plural, diversificado, atual, abriu espaço para todas as vertentes e tendências do movimento: ativistas em defesa do vegetarianismo e direitos animais, ecologistas, culinaristas, profissionais da área de medicina e nutrição, e pessoal ligado à ioga, terapias diversas e facções religiosas colocaram em dia as novidades e trocaram experiências em cursos, oficinas e palestras.

 

Abertura do Congresso no Campus Diamantina

terrapia.jpg

O encontro, organizado por voluntários da Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB) e pelo curso de Nutrição do Uni-BH, teve cem por cento de apoio dos convidados, que bancaram as próprias passagens, estadia e até material para as oficinas culinárias. Se faltou patrocínio e verba, vale dizer que sobrou ânimo dos participantes. “A rede de estusiastas está crescendo”, falou Dolores Montesó, do Projeto Terrapia, grupo carioca que ofereceu delícias da comida viva para muitos dos 500 participantes que tiveram o privilégio de ouvir especialistas, debater temas ligados ao meio ambiente, direito animal e ética; além de, claro, confraternizar.

terrapia2.jpg Se teve novidade em relação ao primeiro Congresso Vegetariano, realizado em São Paulo, em 2006? Várias. “Na época a SVB contava com poucos grupos; hoje são quase 30. Antes a SVB estava se estruturando; agora já está no mapa”, avalia Marly Winckler, presidente da associação. Segundo ela, nutricionistas e outros profissionais das áreas de saúde e nutrição foram mais uma vez brindados nesse encontro, pois cerca de cem nutricionistas foram formados no curso de Capacitação Técnica em Dieta Vegetariana, sob a coordenação do Departamento de Medicina e Nutrição da SVB. “Acho que a formação desses profissionais em alguns anos vai fazer a diferença”, comemora Marly, que prevê a realização desse mesmo curso em outros eventos.

biochip.jpg
anna-elisa.jpg

biochip1.jpg “Raros profissionais trabalham com dieta vegetariana e é difícil ter acesso aos dados”, avalia Eric Slywitch, coordenador do Departamento de Medicina e Nutrição, que falou sobre como detectar e suprimir carências de vitaminas e minerais (B12 e ferro, principalmente), cuidados na primeira infância e mitos alimentares, como o clássico mito da (falta de) proteína. O especialista em Nutrologia percebe uma nítida mudança na área médica: “hoje há mais receptividade ao vegetarianismo”. Um interesse que se reflete, inclusive, nos inúmeros convites que recebe para falar em encontros e congressos.

Para um tempo de paz

Quem teve oportunidade de assistir a palestra Educação ambiental e vegetarianismo – camitorta-viva.jpgnhos para uma conduta ética certamente saiu do Congresso inspirado a divulgar a necessidade urgente de pensarmos na criação de novos paradigmas para manter a vida na Terra. Paula Brügger, coordenadora do Departamento de Meio Ambiente da SVB, bióloga e professora da Universidade Federal de Santa Catarina, amarrou com perfeição as perigosas relações entre produção de carne, consumo irresponsável e sustentabilidade do planeta. “Vivemos hoje como a pessoa que come salgadinhos e toma refrigerante o dia inteiro, mas se sente segura porque tem uma ambulância na porta”, compara. O problema é que o hospital não está mais dando conta de tanto estrago... Uma das soluções? Consumo ético. Sim, enquanto houver mercado para todo o lixo do alimento industrializado, haverá produção e comércio. Cabe ao consumidor, apoiado em suas leis, mudar o rumo dessa história. E cabe às escolas ajudar na formação de futuros cidadãos, mostrando que tudo está interligado. “Não adianta apenas ensinar a separar lixo reciclável e achar que isso é educação ambiental.”

milena.jpg

 

 

 

 

 


Milene Galuppo Mattar,
autora de uma torta viva
que enfeiticou os paladares:
“Hoje as pessoas se
surpreendem com o
simples, com o doce sem açúcar”.

natalia.jpg

 

 

 

 

 

 

Natália Chede
apresenta
pratos com tofu

gonzalez1.jpg

 

 

 

 

  


Dr Alberto Gonzalez
na cozinha viva

Se depender da força da fala da Paula e demais palestrantes, a mudança de paradigmas tem tudo para começar na mesa. “Estamos com a faca e a berinjela na mão”, brincou Alberto Gonzalez, autor do livro Lugar de Medico é na Cozinha. Na concorrida palestra O câncer: uma doença que nos ensina a viver, lembrou que as doenças são respostas ao consumo desmesurado de alimentos artificiais e de um modo de vida agressivo ao frágil e belo mundo das células, que são “feitas de terra e antenadas com o céu”.

equipesvb.jpgEquipe SVB
stande-svb3.jpg  Estande da SVB

Para o médico, o novo hoje é o resgate do antigo, tanto na alimentação, quanto na engenharia, na arquitetura e na relação com o meio ambiente. É a volta à agricultura orgânica, ao uso da força dos ventos, à construção com barro e pfeira-alimentacao.jpgor aí vai. “Isso não é ser natureba ou hippie, é estar de acordo com a própria natureza”, diz Alberto. Ana Branco, pesquisadora do Biochip e principal difusora da alimentação viva, faz coro: “Queremos entrar num tempo de paz. E o primeiro passo é ter paz interior”.

O peso da informação

Silvana Andrade acredita que precisamos “informar para transformar” e lembra que “se um evento não saiu na mídia, não aconteceu”. Motivada por esse princípio, anunciou o lançamento da Agência de Notícias dos Direitos Animais (Anda), que vai alimentar a mídia com dados, informações, uma biblioteca virtual e sugestões de pautas sobre vegetarianismo e direitos animais. Para Silvana, se a Anda já estivesse acontecendo quando a Lei Arouca passou no Congresso, ao menos teríamos oportunidade de abrir um amplo debate sobre vivissecção. Enquanto isso, debatemos essa e outras questões dentro do próprio movimento. Foi o que aconteceu nas salas destinadas ao ativismo: “A troca de informações alimenta positivamente os grupos para futuras ações, sejam elas manifestação de rua, exibição de filmes, panfletagem ou no trabalho de ativismo educativo”, avalia Silvana.

diego-marly.jpg Uma das novidades animadoras foi a presença de Diego Yshizuka, que veio do Paraguai para ver como se organiza um encontro nacional e fazer contato com os ativistas brasileiros. Isso porque ele e um grupo de jovens de Assunção acabam de formar a primeira sociedade vegetariana do Paraguai.

 

Sem muito barulho, o movimento vegetariano vai se ampliando e abrindo os braços para acolher novos grupos e iniciativas bacanas que ajudam a dar sustento para a causa, como as empresas presentes na Feira Veg Cultura. Os estandes apresentaram desde roupas produzidas com garrafa PET até produtos de limpeza ecologicamente corretos. No espaço da aromalandia, uma menina linda chamada Tiare Rodriguez (ver foto abaixo) explicava as propriedades de óleos essenciais e vegetais, como o óleo de babaçu e germe de trigo. Em outro estande uma especialista falava sobre os benefícios da colonterapia e em outro estava exposta uma maquina de preparo do leite de soja. Além disso, muitos livros e camisetas engajadas estavam à mostra – no estande da SVB além de informações e filiações foram vendidos muitos livros, camisetas e adesivos.

tiane.jpg

Cozinha do barulho

Mais uma vez o movimento raw food (ou culinária viva) marcou presença no Congresso da SVB. Boa parte das oficinas seguiram nessa linha e, como em todo evento, a Feira de Desenho Vivo fez sucesso com suas barraquinhas recheadas de gostosuras coloridas e saudáveis. Mesmo quem já conhece ficou enfeitiçado com a criatividade e beleza dos snacks doces e salgados. Cozinheiros consagrados, como Anna Elisa de Castro, criaram maravilhas em tendas montadas ao ar livre e provaram que é possível elevar a comida vegetariana à alta cozinha até com o mínimo de infra-estrutura. Quem assistiu, provou, aprovou e certamente foi pra casa cheio de idéias culinárias!

tamara-mly.jpg

 

 

 

 

 

Momentos descontraídos nos ´corredores´

bh-congresso2-foto-coletiva.jpg

 

 

 

 

 

 

 

Participantes do Congresso

“Um evento como esse gera uma reação muito positiva”, comentou Patrícia Marx, artista que partilhou com a platéia seu caminho para o vegetarianismo e promete, para o ano que vem, lançar um disco “totalmente verde” e, assim, colaborar para a causa. Quem também colocou tempero especial no encontro com sua história pessoal foi Beatriz Medina, do Departamento de Tradução da SVB. Com o know-how de quem criou cinco filhos sem açúcar, carne e quase nada de alimento industrializado, ela deu dicas de como ser vegetariano em família, viagens e encontros sociais. Desde encher a pança antes de ir à festa infantil até levar um mini-fogareiro para quarto de hotel, Beatriz contou que, ao longo de 30 anos, nunca precisou engolir o que não queria. Mas nem sempre isso é fácil. A equipe da SVB, depois de trabalhar o dia todo, preferiu comprar legumes e preparar uma sopa do que peregrinar por Belo Horizonte em busca de um jantar vegano...

Enfim, o Congresso não abalou Belzonte, nem estourou na mídia. Ainda. Mais do que ganhar corpo, o movimento ganha força. Ou seja, se fortalece para poder crescer.

Raquel Ribeiro - jornalista da SVB

desfile.jpg jardins1.jpg
pousada.jpg  reuniao-coordenadores1.jpg
stande-svb.jpg demo1.jpg

 

 
< Anterior   Próximo >