2o Congresso Vegetariano Brasileiro
Apresentação
Estado de Minas PDF E-mail
07-Set-2008
Ser vegetariano

É manter uma postura filosófica diante da vida, buscar saúde plena e se comprometer com o meio ambiente

 
  

Andrzej Gdula

Os motivos são diferentes, mas todos adotam a dieta vegetariana: o engenheiro civil Ives Melo, de 44 anos, "por questões éticas e filosóficas", e a educadora em museus Andréia De Bernardi, de 35, "por todos os motivos éticos, filosóficos, de saúde e de comprometimento com o meio ambiente". Já o auditor de qualidade Evandro Ribeiro, de 44, "por uma questão de saúde", depois de uma embolia pulmonar que o deixou hospitalizado por 10 dias. "Eu não podia nem ver carne na minha frente", explica. A mulher de Evandro, Eliane Pompermayer, por sua vez, foi atrás do marido e aprendeu tudo sobre a cozinha vegetariana. Exímia cozinheira, Eliane hoje é referência na culinária vegetariana, pois não copia, mas cria as receitas, como sua famosa moqueca de beringela, que ela define como "divina".

Maria Tereza Correia/EM/D.A Press

Ives Melo é vegetariano por uma questão de atitude, por entender que o ser humano faz parte da natureza, mas comete o equívoco de se achar superior às demais espécies

Por qualquer um desses motivos, eles têm como princípio não comer produtos que implicaram na morte de qualquer ser do reino animal, principalmente carne de boi, frango, peixe, porco, cabrito ou moluscos. Alguns adeptos, inclusive, deixam de consumir leite e derivados, ovos e outros alimentos de origem animal. Os veganos são mais radicais: além da carne, não vestem nem se divertem com serviços e produtos de origem animal. Os crudivoristas, que adotam os alimentos vivos, além de abolirem a carne da alimentação, pregam a comida crua, com um mínimo de tempo de cozimento no fogão.

Os benefícios para a saúde são muitos, aponta o nutrólogo Eric Slywitch, de 33 anos, que há 16 é vegetariano. "Existem muitos artigos científicos publicados a respeito da saúde dos vegetarianos, entre eles, os da Associação Dietética Norte-Americana (American Dietetic Association) e da Associação de Nutricionistas do Canadá, publicado em 2003. O relatório apresenta dados relevantes, como a redução das mortes por infarto em vegetarianos: 31% de homens e 20% de mulheres, além de redução na pressão arterial (de 5 a 10mmHG) e também a diminuição em 50% do risco de diverticulite, doença que atinge o intestino grosso", narra, em seu livro Alimentação sem carne, da Editora Palavra Impressa. "Se bem estruturada, a dieta vegetariana pode conter todos os nutrientes, sem necessidade de suplementação."

Para divulgar as vantagens da alimentação sem carne, a Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB) realiza, em Belo Horizonte, o segundo congresso, de 25 a 28 deste mês, no câmpus Estoril do Centro Universitário de Belo Horizonte (UNI-BH). O primeiro, em 2006, foi no Memorial da América Latina, em São Paulo, e o terceiro, em 2009, será em Porto Alegre (RS). Mais do que arrebanhar adeptos, eles vão mostrar os impactos do uso de animais na alimentação sobre o meio ambiente, na poluição atmosférica e na desertificação do planeta, entre outros. "Estima-se que, no mundo, a cada segundo, uma área de floresta tropical do tamanho de um campo de futebol seja desmatada para produzir carne de boi, o equivalente a 257 hambúrgueres", alerta o coordenador do congresso em BH, Evandro Ribeiro.



Déa Januzzi
 
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