36° Congresso Vegetariano Mundial Por que os ambientalistas não são vegetarianos? David Pye Por que os ambientalistas não são vegetarianos? E por que eles deveriam ser? Linguarudo! Nós tínhamos combinado não falar isso! Desculpa Parte 1 - Introdução Há algo que une ambientalistas e vegetarianos: uma aversão mútua às grandes redes de fast food. Multinacionais como McDonalds, KFC e Burger King. Os gigantes multinacionais da alimentação parecem representar tudo de ruim que acontece ao planeta. Eles são acusados de causar o desmatamento florestal, fortalecer as fazendas de gado, explorar trabalhadores em países pobres, causar sofrimento nos animais, gerar poluição e usar aditivos químicos na comida. Uma lista enorme de questões que fazem vegetarianos e ambientalistas se unirem para protestar contra. De fato, notamos que a maioria dos vegetarianos está preocupada com o meio-ambiente e com campanhas ativas sobre questões ambientais. Em contrapartida, apenas uma minoria de ambientalistas está preocupada com o impacto ambiental causado pelo consumo de carne a ponto de adotar uma dieta vegetariana. Então por que os ambientalistas fazem pouco caso do vegetarianismo? A primeira vez que tomei conhecimento mais preciso desse descaso dos ambientalistas foi num congresso do partido Verde no final dos anos 90 em Wolverhampton. Eu conversava com um ativista do partido quando o assunto vegetarianismo veio à tona. Falei para ele que eu era vegetariano. Ele imediatamente disse que parecia ser uma boa idéia, mas que “não tinha tempo para ser vegetariano, estava muito ocupado na luta para salvar o planeta”. Meu colega tinha muito conhecimento na causa ambiental, mas ignorava totalmente um dos modos mais básicos e fundamentais de fazer a diferença para o meio-ambiente. Outro motivo que eu ouço bastante por parte dos ambientalistas é “Não me interesso muito pelos alimentos. Eu só como porque preciso comer para viver”. Um argumento anti-vegetariano comum entre os ambientalistas é o “argumento orgânico”. “Eu só como carne produzida organicamente”. Essas pessoas ocasionalmente conseguem um pedaço de carne morta orgânica, mas a maioria delas encontra sua carne nas prateleiras dos supermercados. Parte 2 - Importação Este aqui é o famoso ambientalista televisivo David Bellamy falando sobre pecuária orgânica: ...Por que eu vou desperdiçar os fertilizantes? Poluir os rios? Para adubar uma terra improdutiva ou para colocar nas flores. Em oito meses nós aumentaríamos o estrago em 800%. E por que.... Enquanto uma banda escolar tocava ABBA, tive a oportunidade de perguntar a David se ele era vegetariano, ele respondeu: Não sou vegetariano, eu venho dos bálcãs. Vamos olhar de perto os benefícios ambientais de se tornar vegetariano. O parlamento europeu declarou que a Europa consegue alimentar seus povos, mas não seus animais. A Europa importa 70% das proteínas necessárias para alimentar seus animais. Isso usando ao máximo grandes proporções de usas terras aráveis. Muitos desses 70% são importados de países que sofrem com a pobreza ou a devastação do meio-ambiente. 95% da produção de grãos de soja é usado para alimentar os animais. No Reino Unido, 39% de nosso trigo 51% de cevada e 75% do total de nossas terras agriculturáveis são usados para alimentar os animais. No resto do mundo 1/3 da produção de grãos é usada para alimentar os animais. A Friends of the Earth (Amigos da Terra) estimou que o Reino Unido usa sozinho 4 mil quilômetros quadrados de terras para cultivar os grãos de soja importados, mais da metade deles do Brasil. Os pequenos agricultores do Brasil perderam seu lugar para grandes plantações de soja. Tailândia e Indonésia fornecem 2,6 milhões de toneladas de aipim, um substituto para os cereais. Indonésia e Filipinas fornecem mais de 300 mil toneladas de pasta de coco. Perto de um milhão de toneladas de resina de palmeira são fornecidos pela Indonésia, Malásia, Filipinas e Tailândia. Parte 3 - Poluição Subindo, subindo, bum. Parece bem fedorento aqui embaixo, mas se aplica bem ao próximo tópico: poluição ambiental e o efeito que as fazendas industriais têm sobre o meio-ambiente. O Reino Unido tem mais de 2 milhões de animais em fazendas. A maioria desses animais é mantida em unidades de produção intensiva ou semi-intensiva. Eles são alimentados com ração rica em nutrientes para atingir uma alta produtividade. Como resultado dessa demanda por ração para animais, mais de ¾ das terras agriculturáveis do Reino Unido são destinadas à produção de alimentos para os animais ou para pastagens. Os efluentes produzidos por esses animais na pequena área que eles ocupam, tornam-se poluentes para o meio-ambiente em geral. Há uma ligação direta entre a demanda de alta produção de carne e a poluição ambiental. Parte 4 - Aquecimento Global Aquecimento Global ou Efeito Estufa é um processo natural no qual os gases da nossa atmosfera absorvem o calor que emana do solo e depois o irradiam de volta. Isso evita que a Terra perca todo seu calor no espaço. Ohhhhhhh. Nós estamos liberando grandes quantidades de gases a partir da pecuária intensiva. Todos os animais nas fazendas produzem gás carbônico ao respirarem. A quantidade de gases emitidos por animal em um ano varia de 4000kg para os bovinos, cerca de 400kg para as ovelhas e porcos. Isso pode ser comparado aos 300kg dos seres humanos ou 5000kg para um carro de passeio comum. O metano é um gás muito mais perigoso para o efeito estufa do que o gás carbônico. O esterco das fazendas e dos animais gera cerca de 87 milhões de toneladas por ano, cerca de 15% de toda a produção de metano no mundo. O óxido nitroso também contribui para o efeito estufa e esgota a camada de ozônio. 80% das emissões anuais de óxido nitroso vêm da agricultura. O óxido nitroso é também a principal causa de chuva ácida O gás amônia é um poluente, as fazendas são responsáveis por 80% das 350 milhões de toneladas liberadas todos os anos no Reino Unido. Parte 5 – Água As plantas precisam de água para crescer e, no caso dessa Amarílis, para produzir flores fabulosas. A agricultura também precisa de água, em grandes quantidades, para suas safras que vão alimentar humanos e animais. A maioria da água usada na agricultura não é reaproveitável, pois passa através das plantas e evapora nas folhas e no caule. Grandes quantidades de água são consumidas por hectare de plantação. Um hectare de milho consome 4 milhões de litros de água durante o crescimento, enquanto outros 2 milhões de litros evaporam no solo. Grãos de soja precisam de 4,6 milhões de litros de água por hectare e o trigo precisa de 2,4 milhões de litros por hectare. Que efeito isso tem na produção de animais? Um quilograma de proteína animal leva centenas de vezes mais água para ser produzido do que um quilo de proteína vegetal. A produção de 1kg de carne requer 100kg de forragem e 4kg de grãos. Isso equivale entre cem e duzentos mil litros de água. 87% da água fresca consumida no mundo é usada na agricultura. Claramente, a produção de carne faz uso ineficiente da água. Parte 6 - Conclusão Então, para concluir, cito o relatório da Compaixão para a Fome Mundial (CIWF) de 1999 sobre as fazendas industriais e o meio-ambiente: As fazendas industriais são o modo mais caro para o meio-ambiente de se alimentar o mundo. A produção de proteína animal faz uso ineficiente da terra e dos recursos hídricos. Os animais criados em fazendas convertem proteínas vegetais em proteínas animais com baixa eficiência, comumente cerca de 30% a 40% e apenas 8% no caso da produção de carne. 4kg de grãos dados a um porco produzem um quilo de carne suína. A demanda de água para a produção de carne bovina é cerca de 50 vezes maior do que a demanda de água para a produção de arroz e centenas de vezes maior do que para a de trigo. Em escala global, as fazendas industriais podem levar à devastação ambiental e social. * Nas duas próximas décadas o problema de como aumentar pelo menos 8 bilhões de pessoas e de proteger os recursos naturais de terra, água, ar e vida selvagem vai se tornar cada vez mais urgente. * A disseminação de fazendas industriais pelo mundo não pode ser vista como uma solução sustentável. Fim.
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