Elefante na sala

Relatório publicado pela ONG Global Canopy Programme afirma que as queimadas de áreas florestais são a segunda maior fonte de emissão de gases do efeito estufa - em primeiro lugar está o uso de energia.
 
Relatório publicado pela ONG Global Canopy Programme afirma que as queimadas de áreas florestais são a segunda maior fonte de emissão de gases do efeito estufa - em primeiro lugar está o uso de energia. E indica o combate ao desmatamento para reduzir a ação do aquecimento global. As queimadas respondem por 18% a 25% das emissões de gases – as emissões decorrentes das viagens aéreas, um dos vilões atuais dos ambientalistas, fica entre 2% a 3%. “Mesmo com o aumento previsto para o tráfego aéreo, as emissões pelo desmatamento entre 2008 e 2012 deverão ser maiores do que o total das emissões por aviões, desde sua invenção até pelo menos 2025", afirma o relatório. Para o fundador da ONG, Andrew Mitchell, as florestas tropicais são “o elefante na sala da mudança climática”. Na carta de apresentação do relatório, diz: “Podemos combater o desmatamento já, sem a necessidade de inventar nada novo ou de infra-estrutura cara”.

O Brasil queima hoje, por ano, até 26 mil km2 de florestas, gerando cerca de 400 milhões de toneladas de CO2. Para quem ainda não sabe, essas queimadas todas não têm como objetivo ganhar espaço para estacionamentos nem para construir quadras de tênis. Desses 26 mil km2 derrubados e queimados anualmente, pelo menos 90% abrem novos pastos para pecuária ou expandem os campos de cultivo de soja, ambas atividades que, no final das contas, geram carne que será avidamente consumida no Brasil e na Europa.

Sem (grande) sacrifício

Segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC, em inglês), cada um de nós pode fazer sua parte na luta contra o aquecimento global. Usar transporte coletivo em vez de carro, regular a temperatura do escritório ou da casa e...  comer menos carne! “As mudanças no modo de vida e de comportamento podem contribuir com a redução de emissão de gases que causam o efeito estufa em todos os setores”, afirma o resumo destinado aos governantes, aprovado por quase 400 delegados de 120 países. “Não é uma questão de sacrifício. É uma questão de mudança. Nós podemos promover o desenvolvimento de uma maneira muito mais sustentável do que o que temos feito até agora", disse Ogunlade Davidson, co-presidente de um dos grupos de trabalho do IPCC. Ele lembra que ter um estilo de vida que emita poucos gases causadores do efeito estufa não significa deixar de aproveitar uma boa situação econômica.

O presidente do Painel, Rajendra Pachauri, citou Jimmy Carter. Nos anos 70, o ex-presidente americano recomendou que as pessoas diminuíssem o aquecimento das casas no inverno e, ao invés de vestir uma camisa, colocar um casaco. O indiano Pachauri pediu, como sugestão pessoal, que cada um levasse em consideração a opção de se tornar vegetariano: “Se as pessoas comessem menos carne, talvez tivessem melhor saúde. E, ao mesmo tempo, contribuiriam para a redução das emissões geradas pelas criações de gado”.

[R]evolução Energética

Logo após a divulgação do novo relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), o Greenpeace apresentou o documento alternativo, o [R]evolução Energética. O que propõe? Uma mobilização ampla, geral e irrestrita para salvar o planeta. Por incrível que pareça, a proposta é viável: temos a capacidade técnica para a sustentabilidade, pois já desenvolvemos formas de energia alternativas capazes de assegurar vida digna sem ameaçar a natureza. Tem mais: essa mudança de paradigma pode ainda ser um caminho para superar as relações sociais que produzem desigualdade, desesperança e devastação.

Leia a íntegra da materia do Le Monde Diplomatique Brasil 

Conquista dos mares

A partir do dia 30 de setembro, países com litoral no Pacífico Sul ou com frotas na região vão congelar a pesca de arrastão onde há ecossistemas muito vulneráveis que estão sendo destruídos. No Pacífico Sul ficam os últimos redutos intocados desse ambiente marinho e a pesca ameaça criaturas do fundo do mar únicas e muitas vezes desconhecidas pela ciência. Em minutos devasta corais de águas frias que levaram milênios para crescer. Para arrastar redes a profundidades entre 750 a 1,5 mil metros são usados equipamentos de ponta e embarcações modernas. Os peixes capturados são vendidos (por um bom preço!) aos melhores restaurantes de frutos do mar no Japão, Estados Unidos e Europa. Ou seja, essa atividade predatória beneficia apenas os ricos, mas provoca danos globais que afetam todo o mundo.

O acordo que congela a pesca foi firmado no começo de maio em Reñaca, Chile, por mais de 20 países. Foram anos de luta da Coalizão de Conservação das Águas Profundas (CCAP), entidade que representa a comunidade científica e pesqueira de vários países. Outra boa nova: pretende-se criar uma Organização Regional de Administração Pesqueira (ORAP) nessa área do Pacífico, idéia apoiada por ambientalistas. Todos os países que se comprometeram com a moratória contra a pesca podem também implementar duras medidas regionais para proteger as águas profundas. E esperamos que a ONU abra caminho para a criação de uma rede global de reservas marinhas totalmente protegidas.

SOS em Honduras

A imprensa de Honduras denunciou, em maio, que cerca de 200 espécies correm risco de extinção devido à caça desmedida voltada para a exportação. Entre elas estão o puma, o jaguar, a iguana verde e o tucano. O governo multa os caçadores em cerca de US$ 31 mil, segundo Carla Cárcamo, chefe do Departamento de Vida Silvestre da Corporação Hondurenha de Desenvolvimento Florestal (Cohdefor). Mas isso não basta e o governo iniciou uma campanha (com recursos!) para combater o tráfico ilegal de animais. Carla diz que a caça indiscriminada aumentou consideravelmente e há quem a pratique como lazer.

Boicote ao chocolate

No começo de maio, a Masterfoods incluiu na fabricação de seus produtos uma enzima proveniente do estômago de bezerros (em geral utilizada na produção de queijos). E simplesmente afirmou: “Se o consumidor é um vegetariano extremamente radical, nós sentimos muito porque os produtos não são mais adequados, mas um vegetariano menos radical vai apreciar nosso chocolate”. A resposta veio rápida. Vegetarianos britânicos boicotaram os chocolates Galaxy, Twix, Snickers, Bounty e Mars, um dos mais vendidos. E a sociedade vegetariana do Reino Unido organizou uma campanha que, em uma semana, bombardeou a empresa alimenticia com mais de 6 mil reclamações de consumidores. Quarenta “Members of Parliament” (equivalente a deputados federais) também assinaram um abaixo-assinado condenando a atitude da Masterfoods. Num primeiro momento, a companhia afirmou que reembolsaria quem tivesse comprado um chocolate dos lotes mais recentes sem querer consumi-lo. Mas devido a toda essa pressão (no Reino Unido os vegetarianos totalizam três milhões) ela voltou atrás e prometeu mudar as receitas imediatamente. “Logo se tornou evidente que nós havíamos cometido um erro, pelo qual nos desculpamos”. A empresa confirmou que vai começar a mudar as receitas imediatamente. Essa pequena vitória tem grande significado: nos faz lembrar que somos consumidores, portanto, capazes de influenciar o mercado.

Congresso da Carne?

Sim, existe isso. Dia 27 de abril, ativistas do Veddas (Vegetarianismo Ético, Defesa dos Direitos Animais e Sociedade) e outros vegetarianos protestaram em frente ao hotel Renaissance, em São Paulo, onde ocorreu o Congresso Internacional da Carne. Vestidos de preto, com animais mortos estampados em camisetas, os manifestantes empunharam cartazes sobre a devastação ambiental e o sofrimento animal causados pela pecuária. Houve inclusive performance, em que dois ativistas com os corpos pintados de vermelho viraram “carne humana servida na bandeja”, com direito até a código-de-barra.

Pecuária: campeã em escravidão

A ONG Repórter Brasil apresentou estudo sobre trabalho escravo baseado em dados do Ministério do Trabalho. Aos números:

- Por ano, uma média de 4 mil trabalhadores brasileiros são encontrados em condições análogas à de escravidão. Estima-se que 25 mil pessoas são escravizadas a cada ano.

- A atividade pecuária representa 62% da mão-de-obra escrava utilizada hoje no país. Em segundo lugar vem a produção de carvão, com 12%; a soja com 5,2%; e o algodão, com 4,7%.

- O Estado que mais usa trabalho escravo é o Pará, seguido de Mato Grosso e Rondônia.

Como conseqüência da expansão da bioenergia, deve aumentar o cultivo de cana no nordeste e soja no Pará e no Mato Grosso, o que tende a ser sinônimo de degradação nas condições dos trabalhadores e drástico aumento das tristes estatísticas sobre escravidão.

Pintinho de supermercado

A rede de TV BBC Brasil mostrou um garoto britânico que “chocou” um ovo comprado no supermercado.

Eis uma notícia que deve tocar especialmente os ovolactovegetarianos, e dar um empurrãozinho àqueles que já pretendiam enveredar pelos caminhos do vegetarianismo estrito:

Miles Orford, de nove anos, colocou os ovos em uma incubadora para fazer uma experiência e, três semanas depois, de um deles, nasceu o pintinho. “Não imaginava que poderia dar em um animal de verdade", disse o menino para a BBC. Granjeiros afirmam que, normalmente, os ovos à venda não são fertilizados, mas, às vezes, alguns escapam e chegam às prateleiras. Produtores garantem que comer um ovo fertilizado não provoca risco à saúde.

Bichos-da-seda antinaturais

E o homem continua, futilmente, com a fantasia de brincar de Deus: cientistas japoneses estão manipulando geneticamente os bichos-da-seda para que produzam fios coloridos, afirmou a agencia France Presse (AFP). Na natureza, a cor dos casulos de seda vai do branco ao verde, passando pelo amarelo, bege, salmão e rosado. Os pesquisadores observaram que nos insetos que produzem seda branca, o gene Y sofre mutação: um segmento de DNA é apagado. O gene Y permite aos bichinhos extrair carotenóides (pigmentos orgânicos oriundos de plantas), compostos da cor amarela, das folhas da amoreira. Usando técnicas de engenharia genética, os cientistas japoneses introduziram genes Y imaculados nos insetos mutantes. Agora a seda poderá ser produzida em tons avermelhados.

Bardot e os cães egípcios

Segundo a agencia de notícias EFE, o presidente egípcio, Hosni Mubarak, comovido por um pedido da atriz Brigitte Bardot, ordenou uma investigação sobre os métodos usados no país para sacrificar cachorros de rua. A ativista pelos direitos dos animais pediu que Mubarak acabe com práticas como envenenamento e a morte por tiro. Mubarak promete agir, pois quer preservar a reputação do Egito nesse assunto, especialmente para não ferir os sentimentos dos turistas. A atriz bem que poderia voltar ao Brasil...

Mau exemplo

A novela global Eterna Magia já gera polêmica. O motivo? Uma estola de raposa usada pela personagem de Eliane Giardini. A trama tornou-se alvo de uma longa lista de protetores dos animais, que circula na internet, de acordo com Patrícia Kogut, em sua coluna no jornal O Globo.

 

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